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A expectativa da dor também dói, diz estudo

Qualquer um que já tenho levado uma criança ao médico sabe que todas elas choram mais antes do tratamento que depois. Novas pesquisas usando imagens cerebrais para entender a biologia da dor têm uma explicação: para algumas pessoas, prevenir o sofrimento é tão ruim quanto a experiência em si.
Entre as pessoas que voluntariamente receberam choques elétricos, quase um terço delas optaria por uma dor forte se pudesse passar logo por isto, ao invés de ter que esperar. Mais importante: a pesquisa determinou o quanto de atenção o cérebro gasta na expectativa da dor determina se alguém é um "extremo sofredor" - sugerindo que simples distrações podem aliviar a angústia.

A pesquisa, publicada hoje no jornal Science, é parte do desenvolvimento de um novo campo chamado neuroeconomia, que usa imagens cerebrais para tentar entender como pessoas fazem escolhas. Até agora, a maior parte do trabalho está focada na recompensa - ações que pessoas fazem para resultados positivos.

"Nós estamos interessados no lado negro da equação", explicou Gregory Berns, da Universidade de Emory, nos Estadso Unidos, que conduziu o novo estudo. "A dor geralmente nos faz tomar decisões ruins", completou. Teorias econômicas clássicas dizem que pessoas adiariam resultados ruins o máximo que fosse possível porque algo poderia acontecer neste período para melhorar o resultado negativo. Mas na vida real, a reação "vamos acabar logo com isso" é mais provável, diz Berns.

O pesquisador projetou um estudo para traçar a dor dentro do cérebro. Ele colocou 32 voluntários dentro de uma máquina de MRI que disparava séries de 96 choques elétricos no chão. Os choques variavam de intensidade, de pouca percepção de dor a golpes fortes.

Os participantes eram avisados de que eles estariam vindo, o quão forte eram e de quanto tempo seria a espera, de um a 27 segundos. Depois, as cobaias tinham opções: prefeririam um golpe médio em 5 ou 27 segundos? E que tal um suave em 20 segundos versus um duro choque em três?

Quando a voltagem era igual, os participantes geralmente escolhiam o de tempo de espera mais curta. Mas Berns detectou os "sofredores intensos" entre os que escolhiam o pior choque se não tivessem que esperar muito.
10/5/2006